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Concedido registro de software para aplicativo web destinado à dosimetria personalizada

  • Publicado: Segunda, 19 de Abril de 2021, 08h42
  • Última atualização em Sexta, 23 de Abril de 2021, 15h36

O Instituto Nacional da Propriedade Intelectual concedeu, em março deste ano, certificado de registro de programa de computador a pesquisadores do IRD/CNEN e pesquisadores associados ao grupo da Física Médica do instituto que desenvolveram aplicativo web para dosimetria personalizada de pacientes em terapia com radionuclídeos. O IRDose (disponível em https://irdose.ird.gov.br/) é destinado à dosimetria em medicina nuclear e realiza o cálculo da dose absorvida utilizando o método de Monte Carlo e imagens anatômicas (por tomografia computadorizada e ressonância magnética) e funcionais (por tomografia SPECT e PET) do paciente. 

É importante administrar ao paciente uma quantidade ideal de radiofármaco para garantir a eficácia do tratamento e reduzir a probabilidade de toxicidade em órgãos considerados de risco. Estudos recentes indicam que o planejamento do tratamento baseado na dosimetria personalizada é uma forma de otimizar a terapia, melhorando sua eficácia e segurança. Tradicionalmente, a terapia com radionuclídeos é realizada por administração de atividade fixa, considerada segura para toda uma população. No entanto, isso leva a uma flutuação significativa nos valores de dose absorvida entregues aos tecidos tumorais e órgãos de risco, dificultando a previsão dos resultados do tratamento.

O Brasil ainda não possui regulamentações quanto à obrigatoriedade da realização de dosimetria personalizada, mas o IRDose tem motivado o interesse das instalações de medicina nuclear no país mesmo nessas circunstâncias, de acordo com os pesquisadores que desenvolveram o aplicativo. Assinam como autores Daniel Baptista Bonifácio, Lídia Vasconcelos de Sá, Gustavo Coelho Costa, Leanderson Pereira Cordeiro e Marcelo Gardini do Amaral.

“O IRDose é bastante relevante para instalações de medicina nuclear que não podem pagar por um sistema de dosimetria de alto custo e não possui corpo técnico qualificado em dosimetria personalizada”, explica Daniel Bonifácio, acrescentando que o IRDose é uma ponte para aqueles interessados ​​em aprender mais sobre dosimetria personalizada sem precisar instalar qualquer hardware ou software, utilizando apenas um navegador web.

O grupo acredita que, ao ser amplamente difundido, o IRDose poderá reunir informações úteis nas políticas de saúde pública. Busca, ainda, colaboração com instituições europeias e americanas para avaliar o aplicativo e adicionar recursos que possam expandir seu uso, como visualização de imagens no navegador da web, segmentação não-supervisionada e caracterização de tumores. O aplicativo também será interligado ao NIREA (https://www.nirea.com.br/), que tem como objetivo estabelecer níveis de referência em atividade para promoção da otimização dos procedimentos clínicos.

Instrumentação para medicina nuclear

Um detector para PET, baseado em cristal de cintilação monolítico acoplado a uma matriz de SiPM, está em desenvolvimento pelo grupo. Este conceito de detector PET pode melhorar a resolução em energia e a eficiência de detecção, inalterando a resolução espacial e diminuindo a quantidade de radiofármaco a ser administrado ao paciente. Avanços na detecção da radiação ionizante encontram motivação no desenvolvimento da instrumentação médica, evidenciada por técnicas como sondas gama e tomógrafos PET. Dentro deste cenário, os detectores baseados em cristais de cintilação acoplados a fotomultiplicadoras de silício (SiPM) ganham destaque. Os SiPMs disponíveis apresentam resolução de tempo semelhantes ou até maiores do que as chamadas fotomultiplicadoras a vácuo (aparelhos que convertem luz em uma corrente elétrica mensurável), o que abre caminho para detectores de resposta mais rápida. O grupo está focado no desenvolvimento, caracterização e avaliação de cristais de cintilação acoplados a SiPM para aplicações em medicina nuclear, especialmente em detectores PET, além de sondas gama e beta.

Simulações Monte Carlo são realizadas para avaliar os aspectos físicos do detector e comparar seus resultados com dados experimentais. Com isso é possível melhorar a resolução em energia e a eficiência de detecção, inalterando a resolução espacial e diminuindo a quantidade de radiofármaco a ser administrado ao paciente. Com os avanços da eletrônica digital, os detectores podem ser baseados em algoritmos de processamento de pulso em tempo real altamente eficientes para melhorar a resolução em energia, tempo e espaço. Colaborações com instituições europeias e americanas têm sido buscadas para acelerar o desenvolvimento da pesquisa.

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