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Dia da Mulher e participação feminina na ciência

  • Publicado: Quarta, 03 de Maio de 2017, 13h37
  • Última atualização em Quinta, 04 de Maio de 2017, 12h32

O Dia Internacional da Mulher traz à tona muitas reflexões. A história da tecnologia nuclear conta com um desenvolvimento muito ligado à presença da mulher. Em Energia Nuclear, Uma Tecnologia Feminina, Jonathan Tennenbaum, fala sobre a contribuição das mulheres para o desenvolvimento da tecnologia nuclear. Marie Curie, Ida Noddack, Lise Meitner e muitas outras mulheres  que se dedicaram a uma vida de pesquisas, chegando a resultados brilhantes.

Existem premiações voltadas ao incentivo da participação feminina em C&T e à promoção da paridade e combate à desigualdade entre homens e mulheres no ambiente de pesquisa. “É fundamental valorizar a contribuição da mulher para a ciência e apoiar a ampliação da participação feminina na produção científica e tecnológica do Brasil”, destaca o diretor do instituto, José Ubiratan Delgado.

Dois estudos recentes sobre igualdade de gênero foram citados em reportagem de 2 de fevereiro de 2017 no jornal El País e merecem atenção.  A União Americana de Geofísica quantificou em 20% a presença de mulheres entre os revisores, entre 2012 e 2015, porcentagem que ficam aquém dos 27% de mulheres que conseguem ter aceitos artigos que assinam como primeiras autoras, muito embora elas tenham mais artigos aprovados do que os homens (61% contra 57%). Jory Lerback e Brooks Hanson, autores do estudo, explicam a baixa representação das mulheres indicando que elas recebem menos convites para avaliar os artigos do que os homens e com mais frequência recusam esses convites.

A mesma reportagem mencionou outro estudo feito pela revista Science tentando entender essa sub-representação feminina na ciência e na engenharia. Foi perguntado a meninos e meninas se acreditavam que uma pessoa descrita para eles como inteligente era de seu sexo ou do oposto. As crianças de 5 anos não observavam diferenças, mas a partir dos 6 ou 7 anos, diminui a probabilidade de que meninas considerem a pessoa brilhante como sendo de seu sexo. Os responsáveis pelo estudo consideraram que essas ideias sobre gênero e inteligência, que aparecem em uma fase inicial da infância, podem afastar as meninas das carreiras em ciência e engenharia. E tanto meninos quanto meninas reconhecem que elas tiram melhores notas, o que sugere que não associam essas notas com brilhantismo.

Sobre o pioneirismo feminino, sempre vale à pena ressaltar os feitos de Marie Curie (1867-1934), física, química, vencedora de Prêmio Nobel e pioneira em estudos de radioatividade;  Alice Hamilton (1869-1970), pioneira em toxicologia; Barbara McClintock (1902-1992), Prêmio Nobel da Medicina; Rachel Carson (1907-1964), pioneira da ética e do movimento ambiental; Jane C. Wright (1919-2013), pioneira em oncologia. Que sejam inspiração e força para as novas gerações, como a equipe brasileira que disputará em abril a Olimpíada Europeia de Matemática para Meninas (EGMO, na sigla em inglês), em Zurique, Suíça.

História do IRD

O diretor do IRD enfatiza a participação essencial das mulheres no desenvolvimento do instituto, inclusive em cargos de chefia. O IRD começou como um pequeno laboratório da PUC-Rio, em cuja direção estiveram Edgard Meyer e Anna Maria Campos de Araújo, liderando apenas quatro servidores. Calibrar monitores de radioproteção e realizar monitoração ambiental eram as tarefas. Em 1969, o INCA doou ao laboratório o primeiro irradiador de cobalto para calibração de dosímetros clínicos. Em 1972, foi inaugurado oficialmente como um instituto de pesquisas e teve Rex Nazaré Alves como seu primeiro diretor.

Até hoje o instituto teve 10 diretores, sendo 4 deles mulheres. Entre 1974 e 1980, Dagmar Carneiro da Cunha Reis; entre 1985 e 1990, Anamélia Habib Mendonça Drexler; Eliana Corrêa da Silva Amaral, entre 1994 e 2000 e Dejanira da Costa Lauria, entre 2012 e 2016.

Janaína Dutra Silvestre Mendes, aluna de doutorado de Lídia Vasconcelos de Sá, da Divisão de Física Médica do IRD,  desenvolve atualmente estudo sobre a uniformização da formação em física médica, desde a graduação, passando pela residência médica até a certificação de profissionais da área na América Latina. E publicou em 2016 artigo contendo uma revisão de literatura e levantamento de dados recentes sobre a inserção e permanência das mulheres na Fisica Médica. O estudo mostrou que as mulheres correspondem a apenas 35% dos profissionais reconhecidos como físicos médicos e recebem cerca de 25% menos que os homens na mesma posição.

“A física médica é um campo profissional onde são aplicados conceitos da física na área da saúde e, apesar de ser uma prática bem estabelecida, sua denominação e identificação são difíceis, uma vez que não há uma delimitação bem marcada das fronteiras desta nova área”, destacaram os autores, Janaína, sua orientadora Lídia e Simone Kodlulovich Renha, também do IRD.

Na primeira Escola de Gestão do Conhecimento Nuclear, realizada no instituto entre os dias 5 e 9 de dezembro, em parceria com a Agência Internacional de Energia Atômica, do total de 48 participantes, 23 eram mulheres, um percentual significativo que entusiasmou a coordenadora da escola, a argentina Monica Sbaffoni.

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